Jerry Granelli: “Jazz is a way of life”

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Jerry Granelli, baterista, compositor, professor e acima de tudo improvisador, partilha a sua vida rica de experiências num documentário que recomendo vivamente.

 

 

Jerry Granelli “In the Moment”
1ª parte

2ª parte

3ª parte

4ª parte

5ª parte

6ª parte

Conheci o Jerry em Banff, durante um workshop. A sua palestra concentrou-se muito na capacidade fundamental de escuta exterior e interior que um músico deve ter. Fizemos vários exercícios interessantes que incentivaram a procura pelo risco como também motivaram a preocupação de intervir artisticamente apenas quando temos algo de absolutamente fundamental para transmitir, no fundo, de entender a nossa participação na música como uma manifestação natural e genuína, sem adereços.

Um exercício consistia na presença voluntária de um solista no palco. Ou seja, quando o músico sentisse a urgência de exprimir, de comunicar com, subia ao palco naturalmente e interpretava, através da improvisação, essa mesma expressão/sentimento. Não havia restrições estilísticas , instrumentais nem de tempo (até porque o Jerry acredita, tal como eu, numa música totalmente livre de compromissos estéticos). Havia sim um sentido muito forte de que aquele momento no palco deveria ser único, deveria significar algo.
Outro exercício pedia que tocássemos um blues obedecendo apenas a uma regra: cumpríamos religiosamente a sonoridade típica de um blues durante uma volta pela forma (geralmente 12 compassos); tocávamos o que quiséssemos (livre) durante uma outra volta pela forma e assim consecutivamente. Atenção: a forma mantinha-se. Apenas se modificava a decoração, o aspecto sonoro. Com este exercício, o Jerry provou claramente que é impossível tocar música sem respeitar uma forma. Reparem, mesmo tocando sem qualquer espécie de premeditação técnica ou teórica, a partir do momento que escolhemos um objecto (seja instrumento musical ou não) para reproduzir som, estamos a definir uma forma.
Finalmente, outro exercício importante: durante uma jam, só nos era permitido tocar um som. Um gesto sonoro. Assim, aprendemos a valorizar a realização de som, a concretizar uma escuta extremamente apurada visto que o “nosso” som deverá acontecer quando é absolutamente necessário, quando é pessoal. Como ele próprio diz: “nós estamos sempre a improvisar, só que não sabemos. Só quando conhecemos e recordamos o nosso percurso é que podemos comunicar algo genuíno”.

Foi fantástico conhecer o Jerry. É um músico intenso e brilhante que vive exclusivamente para a música. Como ele refere no documentário “Jazz is not a style. It’s a way of life” (jazz não é um estilo. É uma forma de viver). Eu acrescento a este pensamento: Ser músico não é uma profissão. É uma forma de viver. E termino com uma frase de William Parker: “a música está sempre a acontecer. Nós podemos, ou não, fazer parte dela”

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