“DESENCONTROS” | revista Via Latina | 15 de Abril nas bancas!

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Eis um excerto do meu artigo “Desencontros” presente na revista Via Latina deste ano:

“(…)A resistência é oprimida através de uma constante exaltação do homem-massa medíocre, dependente de impulsos rápidos, viciado na novidade tecnológica efémera (um tema presente no meu artigo “Ser de Cultura” da revista Via Latina do ano passado). A adesão irrefletida deste homem-massa à experiência proporcionada pelas redes sociais, estruturas de comunicação que suscitam uma ilusão de liberdade de expressão mas que são, no fundo, mecanismos de controle e vigilância, transformou-se numa invasão do espaço público e privado, individual ou colectivo. (…)

Eis o truque: os media vendem uma notícia indefinida que alimenta sentimentos básicos de indignação (o ressentimento e rancor perante aquilo que o outro tem – um outro assunto abordado no ensaio “Ser de Cultura”). Imediatamente o homem-massa aproveita o seu suposto espaço semipúblico-privado (a rede social) e grita a sua opinião desinformada e manipulada. E assim se geram fundamentalismos opostos que, de tão cegos, se distraem nas eternas discussões promovidas pelo mesmos media que lançaram a notícia em primeiro lugar. (…)

(…) o homem-massa-espectador acaba por estar de costas voltadas para a arte. Consome um entretenimento balofo e preguiçoso e sujeita-se a uma desatenção edificada pelos media que agregada a uma pobreza financeira, o impede de arriscar no desconhecido. Por outro lado, estando os artistas preocupados com a sobrevivência financeira e consequentemente com a continuidade de uma estética inerte que garanta algum sucesso rápido e firme, a produção artística transforma-se em imitação de géneros reconhecidos, com receitas enfadonhas de complexidade pretensiosa e pouco autêntica. Esta circunstância verifica-se na quantidade de nichos fechados que insistem em afrontar qualquer alternativa, que insistem na sua vontade artística como sendo a única vontade verdadeiramente progressista. O fundamentalismo patente na divisão entre artistas é equivalente à distração vivida pelo homem-massa. Ou seja, para um regime opressor atualizado nada melhor para controlar os possíveis interventores do que os ter separados, zangados e ocupados com os seus caprichos pessoais.(…)”

Quando se justificar, publicarei o artigo na íntegra aqui neste espaço.

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