Independência?

6a00d83451cb2869e200e55448275c8833-640wi
Não é suficiente, para que um projecto/ideia/conceito artístico se levante e faça sentido, reunir muitas pessoas cheias de vontade e desejos comunitários.
Convém que exista, no seio da intenção, conhecimento, dedicação, rigor e muita capacidade de trabalho.
Lá porque uma malta entre os 19/20 ou até 60/80 anos se junta e inventa editoras independentes, bandas e (mais uma vez) cria mil canções sobre as suas desilusões na adolescência – isso não significa que tenha valor.
A quantidade de participantes na construção de uma ideia, não deve superar o mais essencial: a qualidade da ideia e a qualidade da sua expressão.
 
Neste último ano partilhei o palco com alguns músicos da onda independente. Muito bem: estão a desenhar o seu percurso, dentro da sua consciência. Alguns surpreenderam-me pela positiva. A maioria, nem por isso.
Não chega existir. Quase todos os que encontrei não se queriam superar, não exaltavam um desejo de transcendência artística, não tocavam bem, não cantavam bem, não se comportavam muito bem no palco, não estavam preparados e, por isso, não respeitavam o público.
Portanto, afirmar que há na “nova música portuguesa” uma energia subversiva que está a mexer com a circunstância é um exagero. Digo mais, é irrealista.
A maioria destes grupos são sobreviventes. Miúdos de classe média, com cursos superiores em todas as áreas excepto a música, que se metem a tocar ou a cantar para ver se dá alguma coisa.
(atenção: não estou a afirmar que é obrigatório ter um curso de música para se fazer coisas maravilhosas. Estou apenas a apontar uma circunstância)
Como aponta o Zizek várias vezes: os medíocres, porque na sua ignorância sentem que não têm nada a perder, estão sempre mais motivados a fazer (comparativamente a quem é realmente capaz), porque não ponderam muito sobre as consequências.
 
Infelizmente reparo que muitos artistas que admiro e por quem tenho estima (e que assinam esta opinião por baixo) não conseguem impor a exigência que cumprem no seu trabalho, quando avaliam o estado da nação musical portuguesa.
Para não falar dos jornalistas de música, dos críticos de música, dos programadores, etc. Esses, de um modo geral, não têm referências abrangentes (geografica e historicamente), não compreendem os processos de criação e a sua prática, e opinam consoante os seus devaneios e deleites pessoais.
* A imagem em cima é a capa da 1ª edição da partitura do “Quarteto para o Fim do Tempo” de Olivier Messiaen. Uma obra composta durante a prisão do compositor num campo de concentração nazi. A sua estreia foi igualmente no campo de concentração.
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s